Fato ou apenas mais um mito?
Caíque, 8 anos, vive às turras com a Língua Portuguesa. “Não gosto de falar português porque eu não sei falar. É ruim para conversar”, explica o menino, que é filho de brasileiros, mas nasceu na Inglaterra, onde vive com a família.
Holly, 11 anos, não reclama tanto do idioma da mãe brasileira. Mas a relação com o português ainda não é das melhores. Quando Mayza Cooper pergunta em português, Holly responde em inglês. A mãe insiste, mas do lado de lá, não sai nada parecido com a língua românica, derivada do latim vulgar. Depois de tentativas frustradas, Mayza muda o tom: “Você tem que falar em português!”.
Holly mora em Londres. É filha de pai inglês. Cresceu ouvindo o português da mãe, mas sempre esteve cercada pelo inglês do pai, dos amigos, dos professores e dos colegas da escola. Ao Brasil, já foi três vezes. Numa delas, passou por uma situação “difícil”, na qual, quando a avó lhe fazia alguma pergunta, não sabia responder, lembrou Holly, expressando desapontamento consigo mesma.
O Ministério das Relações Exteriores estima que haja 180 mil brasileiros vivendo no Reino Unido, mas não sabe o número de crianças, filhas desses brasileiros. O fato é que existem muitos pais empenhados na tarefa de ajudar os filhos a aprender português e a compreender que, assim como a Inglaterra, o Brasil também faz parte da história deles.
Rumo à sala de aula
O brasileiro Graciano Soares mora em Brighton, cidade do sul da Inglaterra. Todos os sábados percorre 95 km para levar as duas filhas ao um curso de português em Londres. As aulas são dadas aos sábados, no Centro Cultural e Educacional Brasileiro (BrEACC, sigla em inglês). A instituição sem fins lucrativos foi criada em 1997 por pais que queriam fortalecer o vínculo dos filhos com a língua e a cultura brasileiras. “O centro ajuda a criança a entender a sua identidade e a se tornar capaz de interagir num ambiente em português”, explica Graciano, mestre em Educação e voluntário do BrEACC, onde também trabalha como supervisor pedagógico… Vejam a íntegra da matéria de Fábia Belém online sobre o BrEACC.